Nº 05

E agora José?

A paz de Cristo,

Há uns dias atrás, num ônibus coletivo em Aracaju/SE, eu estava na parte da frente, antes de passar pela catraca, quando uma senhora, de aparência jovem embarcou no veículo. A única coisa que demonstrava a sua idade era um objeto que ela segurava, não sei bem se um guarda-chuva ou uma bengala, talvez fosse os dois em um só.

Gentilmente e pronto, logo cedi o meu lugar a ela, estava com a respiração meio ofegante por subir os degraus do ônibus. A princípio não entendi bem o que ela estava falando, sei que ela agradeceu o lugar que cedi pra que ela sentasse, e começou a falar sobre o freio do ônibus, comparando com o freio dos jovens quando estão correndo. Continuei sem entender, até que ela me explicou que falava da questão de parar de correr e o corpo responder a frenagem brusca apoiada pelo pé – membro que ela se queixava de dores e fazia ela levar aquela “bengala-guarda-chuva”.

Após uma parada por conta do semáforo, e ela ainda falando sobre o bendito freio, achei interessante o fato de ela ter apontado para um muro de quase dois metros, e falar que pulava “num pique só” na sua juventude, “coisa que essa juventude não faz” – disse ela.

Após dizer isso, a conversa ficou um pouco mais interessante, quando ela olhou pra mim e disse: “esses jovens pensam que pulmão, coração e fígado são de ferro”. Continuou falando e me confrontou dizendo que esperava que eu chegasse à metade da idade dela. Eu logo respondi: “vou chegar na sua idade, e sem bengalas, viu?”. Ela logo deu um sorriso, parou, pensou e retrucou: “seja realmente diferente desses aí, afinal, a força de uma nação é a sua juventude, e se continuar desse jeito, quem vai ser o futuro do Brasil? Quem vai governar a nossa nação?”. Rindo eu respondi que eu seria o presidente do Brasil. Chegou o meu ponto de descida, e acabamos a conversa com ela me desejando boa sorte na campanha eleitoral.

Essa conversa, apesar de não ser tão interessante, me abriu o apetite de escritor para tentar achar a resposta de duas perguntas.

Primeiro, qual será o futuro do Brasil na questão social? Nossos jovens a cada dia se entregam cada vez mais aos delírios e loucuras da idade. Algumas multidões deles, nem chegaram à maior e idade, e já se encontram viciados pelas esquinas das nossas cidades. Outras moças, de 11 a 14 anos de idade, usufruindo da vida sexual, engravidando, tornam o seu útero estéril, por ser mãe no tempo da imaturidade.

Afinal, alguém pode me responder aonde vai parar o Brasil na questão social? Quem poderá se habilitar a tomar as dores de uma nação corrompida pelo roubo, corrupção e pela podridão do pecado? A pergunta anterior talvez não produza peso sequer na sua consciência, porém, me responda algo além dela; Quem responderá a Deus pelo Brasil? Quem prestará conta por cada uma dessas vidas?

A segunda questão é qual será o futuro do Brasil com relação ao Evangelho de Cristo? Agente sabe bem, que a vida é passageira, e é bem notável em nós mesmos que a cada dia que se passa nós envelhecemos.

Desde o nascimento da igreja, grandes mártires do evangelho foram levantados por Deus em partes do mundo como colunas, tanto para levar a palavra às povos e nações, quanto para sustentar pensamentos nos quais acreditamos e defendemos hoje. Retratando de uma era mais atual e deixando de lado os apóstolos do tempo de Cristo, posso citar o brilhante Marinho Lutero, que se empenhou em falar a verdade que descobriu estar sendo distorcida. O magnífico John Wesley , homem que “ardia em chamas” no meio da praça e os curiosos iam pra lhe ver “incendiado” com o fogo do Evangelho. O grande americano precursor do avivamento Charles Finney.

Se eu posso ser sincero, de tão velhos, eles morreram. E quem os substituíram? Quem foi o “ousado” que tomou para a sua mão a coragem de levar a frente o ministério desses grandes homens?

O que temos hoje no Brasil? Temos referências de grandes homens de Deus, centrados na palavra, os quais particularmente eu admiro, como, Silas Malafaia, Geziel Gomes, Napoleão Falcão, entre outros. Mas, se eu posso ser sincero novamente, eles vão envelhecer, e se o ato do arrebatamento não acontecer até então, eles morrerão. E quem vai substituí-los no trabalho que eles realizam?

Vou viajar agora na minha imaginação – não estranhe, mas, daqui a pouco, vamos ter que procurar homens em outros planetas para ministrar a nós aqui na Terra.

Posso considerar algo, se metade dos nossos jovens estão presos por drogas, vícios, entre outras situações, e a outra metade está se empenhando para daqui a mais alguns anos conseguirem seus luxos, confortos e prazeres, quem vai sobrar no meio deles para levar o Evangelho de Jesus?

Quero encerrar o meu longo discurso pensando o seguinte, Lutero, Wesley e Finney não teremos mais; Malafaia, Gomes e Falcão estão vivos hoje, amanhã, talvez não, o certo de hoje, é que Deus conta conosco para dar continuidade à pregação do Evangelho. Decidi dizer para o Senhor que embora não seja certo que Ele continuasse tendo à Sua disposição esses homens, brasileiros, para continuar a obra, eu estou disponível.

Um grande abraço!

Ev. Micael Barbosa

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